terça-feira, 17 de agosto de 2010

Zuzu Angel

é um filme que conta a história de uma família que vivia na época da ditadura militar no Brasil. Zuzu Angel era uma costureira que, com o tempo, adquiriu muita fama nacional e internacionalmente. Seu filho, Stuart, era um estudante que, como a aioria daquela época, não aceitava o modo como o governo agia. Stuart e seus colegas, enfrentaram por muitas vezes a polícia nas ruas. Stuart e um colega foram presos e torturados até a morte. Sua mãe, Zuzu, decidiu então desmascarar o governo.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Vida Loka part 1

(...)

Fé em Deus que ele é justo!


Ei irmão nunca se esqueça

Na guarda, guerreiro levanta a cabeça, truta

Onde estiver, seja lá como for

Tenha fé, porque até no lixão nasce flor

Ore por nós pastor, lembra da gente

No culto dessa noite, firmão sangue quente

Admiro os crentes, dá licença aqui

Mó função, mó tabela pô, desculpa aí

Eu me sinto às vezes meio pá, inseguro

Que nem um vira-lata, sem fé no futuro

vem alguém lá, quem é quem, quem será meu bom

Dá meu brinquedo de furar moletom!

Porque os bico que me vê, com os truta na balada

Tenta ver, quer saber, de mim não vê nada

Porque, a confiança é uma mulher ingrata

Que te beija e te abraça, te rouba e te mata

Desacreditar, nem pensar, só naquela

Se uma mosca ameaçar, me catar piso nela

O bico deu mo guela, pique bandidão

Foi em casa na missão, me trombar na cohab

De camisa larga, vai saber

Deus que sabe qual é maldade comigo, inimigo no migué

Tocou a campainha plin, pra trama meu fim

Dois maluco armado sim, um isqueiro e um estopim

Pronto pra chamar minha preta pra falar

Que eu comi a mina dele há, se ela tava lá

Vadia mentirosa, nuca vi deu mó faia

Espírito do mau, cão di buceta e saia

Talarico nunca fui e é o seguinte

Ando certo pelo certo, como 10 e 10 é 20

Já pensou doido e se eu tô com meu filho no sofá

De vacilo desarmado era aquilo

Sem culpa e sem chance, nem pra abrir a boca

Ia nessa sem saber, pro cê vê, vidaloka!

(...)

Faroeste Caboclo

Não tinha medo o tal João de Santo Cristo


Era o que todos diziam quando ele se perdeu

Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda

Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu



Quando criança só pensava em ser bandido

Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu

Era o terror da sertania onde morava

E na escola até o professor com ele aprendeu



Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro

Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar

Sentia mesmo que era mesmo diferente

Sentia que aquilo ali não era o seu lugar



Ele queria sair para ver o mar

E as coisas que ele via na televisão

Juntou dinheiro para poder viajar

De escolha própria, escolheu a solidão



Comia todas as menininhas da cidade

De tanto brincar de médico, aos doze era professor.

Aos quinze, foi mandado pro o reformatório

Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror.



Não entendia como a vida funcionava

Discriminação por causa da sua classe e sua cor

Ficou cansado de tentar achar resposta

E comprou uma passagem, foi direto a Salvador.



E lá chegando foi tomar um cafezinho

E encontrou um boiadeiro com quem foi falar

E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem

Mas João foi lhe salvar



Dizia ele: "Estou indo pra Brasília

Neste país lugar melhor não há

Tô precisando visitar a minha filha

Eu fico aqui e você vai no meu lugar"



E João aceitou sua proposta

E num ônibus entrou no Planalto Central

Ele ficou bestificado com a cidade

Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal



"Meu Deus, mas que cidade linda,

No Ano-Novo eu começo a trabalhar"

Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro

Ganhava cem mil por mês em Taguatinga



Na sexta-feira ia pra zona da cidade

Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador

E conhecia muita gente interessante

Até um neto bastardo do seu bisavô



Um peruano que vivia na Bolívia

E muitas coisas trazia de lá

Seu nome era Pablo e ele dizia

Que um negócio ele ia começar



E o Santo Cristo até a morte trabalhava

Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar

E ouvia às sete horas o noticiário

Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar



Mas ele não queria mais conversa

E decidiu que, como Pablo, ele ia se virar

Elaborou mais uma vez seu plano santo

E sem ser crucificado, a plantação foi começar.



Logo logo os maluco da cidade souberam da novidade:

"Tem bagulho bom ai!"

E João de Santo Cristo ficou rico

E acabou com todos os traficantes dali.



Fez amigos, frequentava a Asa Norte

E ia pra festa de rock, pra se libertar

Mas de repente

Sob uma má influência dos boyzinho da cidade

Começou a roubar.



Já no primeiro roubo ele dançou

E pro inferno ele foi pela primeira vez

Violência e estupro do seu corpo

"Vocês vão ver, eu vou pegar vocês"



Agora o Santo Cristo era bandido

Destemido e temido no Distrito Federal

Não tinha nenhum medo de polícia

Capitão ou traficante, playboy ou general



Foi quando conheceu uma menina

E de todos os seus pecados ele se arrependeu

Maria Lúcia era uma menina linda

E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu



Ele dizia que queria se casar

E carpinteiro ele voltou a ser

"Maria Lúcia pra sempre vou te amar

E um filho com você eu quero ter"



O tempo passa e um dia vem na porta

Um senhor de alta classe com dinheiro na mão

E ele faz uma proposta indecorosa

E diz que espera uma resposta, uma resposta do João



"Não boto bomba em banca de jornal

Nem em colégio de criança isso eu não faço não

E não protejo general de dez estrelas

Que fica atrás da mesa com o cu na mão



E é melhor senhor sair da minha casa

Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião"

Mas antes de sair, com ódio no olhar, o velho disse:

"Você perdeu sua vida, meu irmão"



"Você perdeu a sua vida meu irmão

Você perdeu a sua vida meu irmão

Essas palavras vão entrar no coração

Eu vou sofrer as consequências como um cão"



Não é que o Santo Cristo estava certo

Seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar

Se embebedou e no meio da bebedeira

Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar



Falou com Pablo que queria um parceiro

E também tinha dinheiro e queria se armar

Pablo trazia o contrabando da Bolívia

E Santo Cristo revendia em Planaltina



Mas acontece que um tal de Jeremias,

Traficante de renome, apareceu por lá

Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo

E decidiu que, com João ele ia acabar



Mas Pablo trouxe uma Winchester-22

E Santo Cristo já sabia atirar

E decidiu usar a arma só depois

Que Jeremias começasse a brigar



Jeremias, maconheiro sem-vergonha

Organizou a Rockonha e fez todo mundo dançar

Desvirginava mocinhas inocentes

Se dizia que era crente mas não sabia rezar



E Santo Cristo há muito não ia pra casa

E a saudade começou a apertar

"Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia

Já tá em tempo de a gente se casar"



Chegando em casa então ele chorou

E pro inferno ele foi pela segunda vez

Com Maria Lúcia Jeremias se casou

E um filho nela ele fez



Santo Cristo era só ódio por dentro

E então o Jeremias pra um duelo ele chamou

Amanhã às duas horas na Ceilândia

Em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou



E você pode escolher as suas armas

Que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor

E mato também Maria Lúcia

Aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor



E o Santo Cristo não sabia o que fazer

Quando viu o repórter da televisão

Que deu notícia do duelo na TV

Dizendo a hora e o local e a razão



No sábado então, às duas horas,

Todo o povo sem demora foi lá só para assistir

Um homem que atirava pelas costas

E acertou o Santo Cristo, começou a sorrir



Sentindo o sangue na garganta,

João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir

E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e

A gente da TV que filmava tudo ali



E se lembrou de quando era uma criança

E de tudo o que vivera até ali

E decidiu entrar de vez naquela dança

"Se a via-crucis virou circo, estou aqui"



E nisso o sol cegou seus olhos

E então Maria Lúcia ele reconheceu

Ela trazia a Winchester-22

A arma que seu primo Pablo lhe deu



"Jeremias, eu sou homem. coisa que você não é

E não atiro pelas costas não

Olha pra cá filha-da-puta, sem-vergonha

Dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão"



E Santo Cristo com a Winchester-22

Deu cinco tiros no bandido traidor

Maria Lúcia se arrependeu depois

E morreu junto com João, seu protetor



E o povo declarava que João de Santo Cristo

Era santo porque sabia morrer

E a alta burguesia da cidade

Não acreditou na história que eles viram na TV



E João não conseguiu o que queria

Quando veio pra Brasília, com o diabo ter

Ele queria era falar pro presidente

Pra ajudar toda essa gente que só faz...



Sofrer...